Caso 59: laboratório

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MOTIVO DA CONSULTA:
A paciente surgiu na consulta porque colocou um implante no local do dente 1.1 mas os colegas tiveram dificuldade em reabilitar proteticamente o implante. As opções protéticas disponíveis na altura mostravam-se difíceis de realizar. Nesse sentido a paciente foi referenciada para a minha consulta.

DIAGNÓSTICO:
Paciente do sexo feminino com 52 anos, não fumadora. Recorreu à consulta com um implante já colocado no local do 1.1. Estava reabilitado provisoriamente com uma coroa de resina composta aderida à superfície palatina dos dentes adjacentes. Esta provisória tinha descolado várias vezes no último mês, inclusivamente nesta primeira consulta estava descolada. Aproveitamos essa situação e verificamos que o implante “Tissue Level” tinha 2 a 3 mm de espaço protético disponível. Uma mordida profunda e a inclinação do longo eixo do implante colocava uma situação muito difícil ao reabilitador. Se optasse por um coto com uma coroa cimentada a altura do coto seria mínima não tendo retenção nem resistência. Se optasse por uma solução aparafusada a emergência do orifício de acesso do parafuso sairia pela superfície vestibular. É forçoso lembrar que no ano de 2006 as soluções protéticas para esta situação estavam limitadas a estas opções:
1 – Coto metálico angulado aparafusado para coroa cimentada;
2 – Coto metálico angulado aparafusado para coroa aparafusada transversalmente;
3 – Coto metálico synOcta® para coroa aparafusada.

Adivinhou-se logo de início um sério problema nesta reabilitação. A paciente tinha um fenótipo gengival espesso e uma boa higiene oral.

PLANO DE TRATAMENTO:
Após realizarmos uma impressão ao implante e confecionarmos os modelos testamos várias opções reabilitadoras com a ajuda do kit de planificação da marca do implante. Nenhuma se mostrou capaz. Nesse sentido e como solução de recurso, foi proposta uma solução inovadora. Foi proposto a confeção de um coto em Zr fresado com um desenho apropriado para receber uma faceta que escondesse o orifício de acesso ao parafuso. A faceta ela própria tinha uma infraestrutura em Zr revestida a cerâmica. O objetivo era conseguir retenção e resistência com o aparafusamento do coto e esteticamente resolver o caso com a faceta.

NOTAS DO TRATAMENTO:
Após a impressão ao implante com uma técnica de dupla mistura com dupla viscosidade e a recolha de informação da forma e cor pelo ceramista, avançamos com o trabalho. No modelo foi colocado sobre o implante um synOcta®, sobre ele foi colocado um parafuso para avaliar a sua emergência em relação ao bordo incisal. Em seguida foi preparado um perfil de emergência adequado na gengiva artificial. Sobre este cenário foi encerado um coto com características adequadas à sobre mordida e simultaneamente capaz de receber uma faceta. Este enceramento deu origem à fresagem manual de um coto muito personalizado. Foi também confecionada uma infraestrutura em Zr para a faceta com uma adaptação muito grande ao coto. Sobre esta infraestrutura foi colocada cerâmica. A fluorescência da cerâmica procurou compensar a falta de fluorescência que o Zr tinha e obviamente personalizar mais a estética. A ponte adesiva foi retirada e o trabalho definitivo foi colocado. O synOcta® foi inicialmente apertado com 35 Nm ao implante e em seguida o coto de Zr foi apertado sobre o synOcta® com 15 Nm. O orifício de acesso foi tapado e em seguida foi cimentada a faceta com ionómero de vidro reforçado com resina. Após 15 anos a paciente recorreu à consulta com mobilidade no dente. Felizmente hoje em dia temos a possibilidade de ter chaves de aperto dinâmicas que permitem apertar parafusos com inclinações maiores. Foi feita uma cavidade de acesso sem danificar o bordo incisal da faceta. O aperto foi feito com uma chave dinâmica com 15 Nm de torque. O orifício foi tapado com teflon e obturado com resina composta. Esta solução permitiu a resolução do problema de uma forma simples e económica.